Catedral de Brasília
Palavra do Pastor

3º Domingo do Tempo Comum

Convertei-vos!

21/01/2018

 

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

 

Nos domingos do Tempo Comum, a cada ano, a Igreja proclama um dos três Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas). Neste ano, temos a oportunidade de ler e meditar, com a Igreja, o Evangelho segundo Marcos. O texto, hoje proclamado (Mc 1,14-20), nos apresenta os inícios da pregação de Jesus, anunciando a chegada do Reino. “O tempo já se completou!”.  Por isso, como resposta a essa boa nova, todos são chamados a crer e a converter-se. 

 A brevidade do tempo é ressaltada conforme a expressão “dentro de quarenta dias”, empregada por Jonas (Jn 3,4). O povo de Nínive, cidade que muitos consideravam condenada por seus pecados, se converte e faz penitência diante da pregação do profeta Jonas, obtendo, assim, o perdão de Deus. Nesta perspectiva de urgência, colocam-se também as palavras de São Paulo, afirmando que “o tempo está abreviado” (1Cor 7,29), exortando ao desapego das coisas passageiras deste mundo.

Deus continua a olhar para nós, hoje, com compaixão, esperando o arrependimento dos pecados e a conversão sincera. A recusa da conversão e do perdão de Deus continua a gerar a violência, a injustiça e a morte. Ao contrário, os que reconhecem seus pecados, buscam o perdão e se dispõem à conversão, fazem a experiência da vida nova dos discípulos de Cristo feita de amor, de alegria e de paz.

Os discípulos são os primeiros a acolher a boa nova, fazendo a experiência da conversão e da fé, dispondo-se a seguir a Cristo. No relato do chamado aos primeiros discípulos, Marcos destaca a iniciativa de Jesus, isto é, o discipulado como dom ofertado, como sinal da gratuidade do amor de Deus. É Jesus quem se dirige aos primeiros discípulos, convidando-os a segui-lo. A resposta dos discípulos ao chamado exprime aquilo que jamais poderá faltar aos discípulos de todos os tempos: a pronta disponibilidade. Eles deixaram “imediatamente” as redes para seguir Jesus. Tal disponibilidade brota da fé, que vai se iluminando e amadurecendo ao longo do caminho. A resposta à conversão, assumindo a condição de discípulo, deve ser motivada pelo reconhecimento de que Deus é “ternura, compaixão, misericórdia e bondade sem limites”, conforme o Salmo 24, hoje meditado. A conversão pregada por Jesus não é baseada no medo do castigo, mas na confiança na misericórdia do Pai e na acolhida do dom do Reino.

Nós somos chamados a fazer a experiência da conversão e do discipulado participando da comunidade. A Igreja necessita de discípulos em comunhão, com o coração missionário, capazes de levar a todos, especialmente aos que mais sofrem, a boa nova do Reino. Nessa missão, os cristãos leigos e leigas desempenham papel fundamental, como nos recorda o Ano do Laicato.

 

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