Catedral de Brasília
Palavra do Pastor

II Domingo da Páscoa

A Divina Misericórdia

23/04/2017

 

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

 

A Igreja propõe que “os cinquenta dias entre o Domingo da Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa”. Por isso, continuamos a expressar o nosso louvor e alegria pela Páscoa da Ressurreição do Senhor, rezando com o Salmista: “Dai graças ao Senhor porque ele é bom! Eterna é a sua misericórdia” (Sl 117).

O segundo Domingo da Páscoa é denominado “Domingo da Divina Misericórdia”, conforme estabeleceu São João Paulo II. O Papa Francisco afirmou que “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”. Ele revela o rosto misericordioso do Pai nos seus ensinamentos e nas suas ações. Jesus Ressuscitado manifesta a sua misericórdia aos discípulos reunidos. O Evangelho nos apresenta o primeiro encontro de Jesus com os seus discípulos após a sua paixão e morte na cruz (Jo 20,19-31). Depois de ter sido traído e abandonado por eles, ele os reencontra desejando-lhes a paz e oferecendo-lhes o dom do Espírito, juntamente, com a missão de perdoar os pecados. Ao invés de cobrar explicações ou de condená-los, Jesus lhes transmite a paz e o perdão.

Vivemos numa época marcada por muita violência. A vida e a dignidade das pessoas vão sendo violadas de muitas formas, causando tanto sofrimento. Quem celebra a Páscoa não pode adotar um estilo de vida marcado pela agressividade e pela violência. Quem celebra a Páscoa crê na vitória do amor sobre o ódio, da misericórdia sobre a vingança, da paz sobre a violência, do perdão sobre o ressentimento e da vida sobre a morte. Nós cremos no poder da divina misericórdia! Por isso, somos chamados a manifestar ao mundo o rosto misericordioso de Deus, como Igreja, assim como, pessoalmente.

É preciso aproximar-se, com compaixão, de quem sofre, a fim de cuidar dos feridos e de levantar os caídos. Os braços misericordiosos de Cristo abraçam e erguem os caídos através dos braços de quem se faz próximo dos que mais sofrem. É preciso lembrar-se de que somos todos necessitados de misericórdia, que é perdão e compaixão. Para viver em comunidade e em família, necessitamos muito da misericórdia divina e também da misericórdia entre nós, o que inclui o perdão ao próximo e uma atenção especial aos que mais sofrem. Somos chamados a partilhar os nossos bens com os mais necessitados, a exemplo do que ocorria na comunidade primitiva, segundo os Atos dos Apóstolos (At 2,44-45).  Entretanto, a acolhida da misericórdia divina pressupõe a fé. Quem crê em Cristo Ressuscitado, confia no seu amor misericordioso. Para poder testemunhar a sua misericórdia repete, a cada dia, “meu Senhor e meu Deus!”

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