Catedral de Brasília
Palavra do Pastor

2° Domingo da Quaresma

A Transfiguração do Senhor

12/03/2017

 

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

 

A belíssima passagem da Transfiguração do Senhor, proclamada neste 2º Domingo da Quaresma, ilumina a nossa vivência quaresmal. Somos chamados a responder “sim” à voz do Pai que nos convida a escutar Jesus Cristo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-o” (Mt 17,5).

Para compreender bem o sentido da Transfiguração, é preciso considerar que, pouco antes, os discípulos tinham ficado escandalizados com o anúncio da paixão feito por Jesus, pois não admitiam que o Messias pudesse sofrer e morrer na cruz. A contemplação de Cristo transfigurado anima a fé dos discípulos, preparando-os para a subida do monte Calvário, isto é, para participar da paixão e abraçar a cruz. Esse episódio apresenta-se, portanto, como uma antecipação da experiência da vitória pascal de Jesus Cristo.

Necessitamos, hoje, refazer a experiência de Pedro, Tiago e João, para poder dizer: “Senhor, é bom ficarmos aqui!” (Mt 17,4), por meio da oração pessoal e comunitária, pela escuta da Palavra e o encontro com Cristo na Eucaristia. Contudo, para isso, é preciso dispor-se a subir a “a alta montanha” (Mt 17,1), conforme a expressão empregada por Mateus, o que exige esforço e perseverança. Esta tarefa não condiz com acomodação ou preguiça na vida espiritual.

Embora seja necessário o empenho de cada um, o discípulo não sobe sozinho a montanha da Transfiguração, nem realiza tal experiência por conta própria. “Sobe”, primeiramente, porque o Senhor o “tomou consigo”, segundo o que acabamos de ouvir, isto é, pela graça de Deus que precede e acompanha a subida. Além disso, é preciso subir juntos a alta montanha, aceitando os outros discípulos como companheiros de caminhada. A vida dos discípulos de Cristo consiste num permanente caminhar, com ele e com os demais discípulos. Os discípulos que vivem da oração, da escuta da Palavra e da Eucaristia se revelam, ao mesmo tempo, discípulos em comunhão.

Aqueles que sobem a montanha, uma vez encontrando-se com o Senhor transfigurado, não podem instalar-se nela comodamente, ainda que seja sincero o desejo de construir tendas para permanecer com ele. O discipulado implica em subir e descer a montanha. É preciso descer da montanha para evangelizar, contando com o Senhor Ressuscitado que nos acompanha e nos sustenta na missão. Por isso, Jesus tocando os discípulos disse-lhes: “levantai-vos e não tenhais medo” (Mt 17,7). E eles desceram em direção à multidão, especialmente, ao encontro dos doentes e sofredores. Por isso, que a nossa oração seja também acompanhada da prática da caridade, conforme nos propõem a Quaresma e a Campanha da Fraternidade.

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