Catedral de Brasília
Palavra do Pastor

XXX Domingo do Tempo Comum

Como estamos rezando?

23/10/2016

+ Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília

No último domingo, o Evangelho nos convidava a “rezar sempre e nunca desistir” (Lc 18,1). Hoje, continuamos a refletir sobre como estamos rezando, com a parábola contada por Jesus para os que “confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (Lc 18,9). Jesus fala de dois homens que foram ao templo para orar. Um pertencia ao grupo dos fariseus; eles se consideravam superiores aos demais, por buscar cumprir rigorosamente os preceitos da Lei. O outro era um cobrador de impostos, também denominado “publicano”. Os cobradores de impostos tinham fama de desonestos. Além de serem considerados impuros pelos fariseus, eram detestados pelo povo, como colaboradores do Império Romano. Aqueles dois homens rezavam de modo muito diferente um do outro. O fariseu se julgava justo, merecedor da salvação, achando-se superior ao outro. O publicano, ao contrário, suplicava humildemente a misericórdia de Deus, dizendo: “meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador” (Lc 18, 14).

O erro do fariseu foi achar que as suas boas obras fossem a causa da sua justificação. Ele faz a lista dos seus méritos. Quando sinceras e vividas na humildade, as nossas boas obras são a nossa resposta ao amor de Deus e a nossa acolhida da salvação, como dom gratuito de Deus. O fariseu se achava tão bom que não precisava da salvação em Cristo. O pecador que se reconhece como tal, como fez o publicano, acolhe a salvação, pois Jesus veio para chamar os pecadores (Lc 5,32). Isto exige, além da fé, a humildade diante de Deus e do próximo. Na oração e na vida, a importância da humildade é tão grande que a parábola se conclui com uma séria advertência: “quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 18,14).

A segunda Carta a Timóteo nos apresenta um trecho comovente, que é considerado como um testamento de São Paulo. Nele, o Apóstolo fala de sua vida como oferta a Deus, mencionando as dificuldades que superou, por graça de Deus, e colocando-se em atitude de serena espera do término de sua missão. Assim fazendo, ele demonstra uma atitude muito diferente daquela do fariseu da parábola. A confiança de S. Paulo está em Deus e não nas obras que realizou.

Neste Dia Mundial das Missões, rezemos pelos missionários presentes no mundo inteiro. Sejamos missionários, testemunhando o Evangelho na vida cotidiana. Rezemos, de modo, especial, pela Missão da Arquidiocese de Brasília em Roraima. Como sinal de comunhão e apoio aos missionários, realiza-se hoje, em todo o mundo, a coleta para as Missões. Rezemos e participemos da coleta missionária! 

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