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Dom Marcony na formação da CF2018: “Não desanimem. Somos regidos pelo Príncipe da Paz!”

05/02/2018 15:31

No último sábado, 3, a Arquidiocese de Brasília promoveu a formação para a Campanha da Fraternidade 2018, que tem como tema: “Fraternidade e a Superação da Violência” e Lema: “Vós sois todos irmãos”.

Na parte da tarde a formação seguiu apresentando os seguintes temas:

- O papel das mídias e redes sociais na superação da cultura da violência no DF - com o jornalista do DFTV: Sr. Antônio de Castro

- Atitudes de respeito com o pedestre e com os condutores de Veículos na superação da violência do trânsito no DF - Com o Diretor de Educação de Trânsito do DETRAN - DF: Sr. Álvaro Sebastião Teixeira Ribeiro

- Jovens, desigualdades sociais e a superação da violência no DF - Com a Professora e Dra. Maria Aparecida Penso, professora da Universidade Católica (UCB) e membro do programa de pós-graduação em psicologia

- O compromisso dos fiéis leigos e leigas com a superação da Violência no Ano Nacional do Laicato de 2018 - Com o Dr. Mauro Almeida Noleto, Mestre em Direito e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília 

- Pistas para ações concretas da CF-2018 no âmbito da Ação Pastoral  da Arquidiocese de Brasília - Com o bispo-auxiliar de Brasília: dom Marcony Vinicius Ferreira.

O papel das mídias e redes sociais na superação da cultura da violência no

O jornalista do DFTV, Antônio de Castro, refletiu sobre os seguintes temas: de onde vem o jornalismo que vemos hoje?; A que ponto chegamos?; Como está sendo abordada a violência hoje nas mídias sociais e meios de comunicação; Para onde vamos?.

De forma sucinta, o jornalista fez uma comparação do processo jornalístico vivido no século passado, quando se tinha um modelo de imprensa, um modelo de fazer jornalismo e de comunicar a violência e demais assuntos, com como este mesmo processo é realizado após o advento das tecnologias.

“Quando antes se tinha todo um cuidado com a imagem, com a transmissão da notícia, com os envolvidos no caso, agora vemos as imagens sendo divulgadas no momento do acontecido, com a exposição completa da situação.”

Segundo Antônio, esse fenômeno acontece basicamente porque antigamente o conteúdo era produzido apenas por jornalistas que noticiavam assuntos de interesse público. Com o advento das redes sociais, se antes a produção de jornalismo e conteúdo era função apenas do jornalista, na última década, todas as pessoas com acesso a internet e às mídias sociais passaram a produzir também o seu próprio conteúdo. “Com esse contexto vemos a publicação deliberada da barbárie humana”, explicou.

Ainda segundo o jornalista, ainda se caminha sem saber muito para onde ir, por conta de todo esse conturbado contexto, mas nós cristãos temos responsabilidades com a verdade. “Como cristãos precisamos prezar pela busca da verdade. Como cada um de nós podemos mudar essa realidade? Tendo atitudes de cidadãos corretos, publicando historias corretas, que se sabe a veracidade pode ser um caminho.”

Para concluir o jornalista respondeu algumas indagações que podem surgir em meio a todo este contexto. “Temos obrigação de pautar nossas ações pela ética, pelo respeito ao outro. Perguntas como: Que rede social eu estou fazendo? Que contribuição eu estou dando para enfrentar este quadro da violência? Como eu posso contribuir para que essa barbárie não seja reproduzida? As respostas podem surgir com a mudança de nossas atitudes. Temos que conversar com nossa família, falar sobre o assunto com os filhos, parentes. Podemos começar dentro de nossas casas.”

 

Atitudes de respeito com o pedestre e com os condutores de Veículos na superação da violência do trânsito no DF

O Diretor de Educação do Trânsito do Distrito Federal (DF), Álvaro Sebastião Teixeira falou um pouco sobre os trabalhos desenvolvidos pelo Departamento de Trânsito (DETRAN) para tentar diminuir as mortes e violência no trânsito.

Na ocasião o diretor salientou a participação da Igreja por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e da Comissão de Justiça e Paz Nacional e da Arquidiocese de Brasília no desenvolvimento do último Código de Trânsito Brasileiro, apresentado em 1998.

Sebastião  falou sobre alguns dos projetos de sucesso já desenvolvidos pelo DETRANDF.  “Há alguns anos, nos reunimos pela necessidade que a sociedade tinha de tomar uma posição na questão da violência no trânsito. Naquela época tivemos uma experiência muito positiva em Brasília que foi a Campanha Paz no Trânsito. Campanhas como esta não nascem começando pelo Estado ou Governo. Primeiramente nascem na comunicação social e nos meios de comunicação. Esta campanha em especifico teve inicio com a diminuição da velocidade nas principais vias de Brasília. Hoje temos diversas vias da cidade com limites de velocidade, que garantem maior segurança para os veículos, pedestres e ciclistas.

Ainda segundo Álvaro, “qualquer um pode ter atitudes para alcançar uma melhor qualidade no trânsito. Conhecer as leis de trânsito já é um grande passo. Se colocar no lugar do outro também contribui bastante para manter a paz no trânsito, principalmente quando falamos dos pedestres e ciclistas. Ao respeitar os ciclistas eu estou demonstrando que valorizo os mais francos nesta relação de trânsito, sendo assim também estou sendo um bom cidadão.”, disse.

Para o diretor, “não me colocar em situação de risco também é uma forma de fazer a minha parte para um trânsito melhor. O pedestre também deve respeito ao motorista, quando, por exemplo, sinaliza ao passar na faixa, ou respeita o sinal para atravessar a rua, usam passarelas, essas atitudes também ajudam.”

Para concluir o diretor se colocou à disposição de todos e disse que o DETRAN-DF está e trabalhando muito para conseguir, cada vez mais, diminuir os incidentes e as mortes no trânsito. “O nosso objetivo é reduzir a zero. Estamos no caminho, concluiu.”

 

Jovens, desigualdades sociais e a superação da violência no DF

A palestrante, professora e Dra. Maria Aparecida Penso, que é professora da Universidade Católica (UCB) e membro do programa de pós-graduação em psicologia, explanou sobre os diversos contextos da criança e adolescente inseridos em um ambiente ou situação de violência.

Segundo a Dra. Maria, cada vez mais os jovens e adolescentes estão  inseridos em situações de violência ou que levam a violência. “Centenas de crianças e adolescentes neste País estão privados de viver sua infância e sua adolescência, seja pelo trabalho precoce, seja pela falta de lazer e oportunidade e até mesmo pela falta de acesso as necessidades básicas, como saúde, educação e segurança”, explicou.

Para ela, quando se vive em um lugar com muitas desigualdades sociais é muito difícil se viver em uma cultura de paz.

Dra. Maria falou sobre alguns pontos principais que levam ao aumento da violência nos dias atuais:

- Concentração de renda - Desigualdade social

- Inversão dos valores – Quem são nossos heróis?

- Desemprego – perda da legitimidade

- Fragilidade dos valores – escola, famílias, professores desvalorizados. Importância de modelos

- Inserção do jovem nas realidades do tráfico – contextos e grupos que geram violência

- Criminalidade como preenchimento do vazio – única saída?

- Naturalização da violência – Não se pode parar de se incomodar com atos de violência

Ainda segundo a professora, existem maneiras de tentar ajudar a realidade de muitas comunidades. “Criar uma rede de pensadores que ajudem aos que precisam a entender que são parte da sociedade e com quem podem contar. Para o jovem a rede é muito importante, porque para eles os grupos são de muita importância.”, explicou.

 

O compromisso dos fiéis leigos e leigas com a superação da Violência no Ano Nacional do Laicato de 2018

 

Para falar sobre este assunto foi convidado o Mestre em Direito e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília, Dr. Mauro Almeida Neto.

Dr. Mauro apresentou uma série de documentos da Igreja que norteiam os passos daqueles que querem fazer a diferença dentro de suas comunidades.

Como ponto principal, Dr. Mauro falou da importância da inserção de leigos e leigas em todos os campos da sociedade além do cumprimento do papel que temos como cristão.É preciso ter cada vez mais leigos e leigas inseridos nos âmbitos políticos, acadêmicos e de comunicação. É preciso que façamos um profundo exame de consciência da reponsabilidades da condição de batizados e crismados que somos. Sair ao encontro dos irmãos feridos pelas injustiças, pobrezas, violências e sofrimento. Sair da comunidade e muitas vezes, enxergar a própria comunidade.”, concluiu.

 

Pistas para ações concretas da CF-2018 no âmbito da Ação Pastoral  da Arquidiocese de Brasília

Para fechar o evento, o bispo auxiliar dom Marcony falou sobre as possíveis pistas para ações concretas da CF 2018.

Segundo o bispo “somos convidados a ver enxergar todo o contexto sem negativismos nem pessimismos, mas com realismo. Nos prendemos muitas vezes no “não tem mais jeito”. Não podemos ver como cegos. Temos uma situação complicada em diversos sentidos no que toca a violência, mas não sejamos pessimistas. Devemos olhar com misericórdia”, pediu.

Segundo dom Marcony, a atitude por hora é “agir no amor, ver com a fé e julgar sempre com misericórdia. Devemos cuidar para não cairmos em um espiritualismo vago, de uma caridade só da boca pra fora.”

O Bispo continuou fazendo referencia as palavras do Arcebispo dom Sergio. “Filhos amados, como disse o nosso Arcebispo dom Sergio no início desta formação, vocês são chamados a serem Sal e Luz para este mundo. Isso é uma missão e não uma possibilidade. Nós católicos temos que dar muito mais do que já se espera de nós.”

Para concluir o bispo auxiliar deixou algumas pistas que podem servir de ação neste começo:

- Não desanimem. Parece que diante de todo o quadro que vimos, pensamos, “meu Deus quanta coisa”. Mas não nos esqueçamos de que quem nos rege e nos guia chama-se Príncipe da Paz.

- Não se ache mais importante que o outro. Faça a sua parte e não cobre somente do outro. Busquemos o que nos une e sejamos humildes.

- Unidade. Precisamos nos unir, principalmente dentro da Igreja

- Saber reconhecer os nossos erros e ter compaixão pela fraqueza do irmão.

-  Saber que é possível

- Pergunta-se como eu estou vivendo o Evangelho na minha vida.

Por fim dom Marcony agradeceu a presença de todos os fiéis que participaram da formação.

 

Os interessados podem ter acesso a todo o material apresentado pelos palestrantes na formação clicando aqui.

 

Veja as fotos do evento aqui.

 

Informações:
Campanha da Fraternidade 2018:
Telefone: 3213 3341 ou mail: fernanda.pastoral@arquidiocesedebrasilia.org.br

 

Leia também:

- CF 2018: Fieis se reúnem na UCB para discutirem e buscarem soluções para a superação da violência

 

Por Kamila Aleixo

 

 

 

 

 

 

 

 

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