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CF 2018: Fieis se reúnem na UCB para discutirem e buscarem soluções para a superação da violência

03/02/2018 23:03

 

Ao longo deste sábado, 03 de fevereiro, aconteceu o Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade 2018, na Universidade Católica de Brasília, em Águas Claras.

Mesmo com o tempo frio e chuvoso na parte da manhã, membros de pastorais, movimentos, leigos, membros da sociedade civil e ambientes de ensino, e representantes das Dioceses de Luziânia e de Formosa lotaram o auditório da Universidade para participar da formação, aprofundar e discutir a temática proposta pela CF deste ano, que é “Fraternidade e a Superação da Violência” e Lema: “Vós sois todos irmãos”.

O encontro teve início com a apresentação do hino e do vídeo da CF, em seguida, foi realizada a abertura oficial, com a recepção e uma mensagem do cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, aos presentes.

Na abertura, dom Sergio reforçou a importância da formação: “Essa discussão de hoje ajudará, com certeza, a compreender a temática da CF e também a refletir, a rezar e a vivenciar a CF nas comunidades, nas paróquias e  nos ambientes que vivemos”, assegurou o cardeal.

Em seguida, a professora Marcelle Gomes Figueira, da área de Arquitetura e Urbanismo na UCB e doutora em Políticas de Segurança Pública, subiu ao palco do auditório central para realizar a palestra: Perfil e mapeamento da violência no Distrito Federal e os reflexos com o entorno.

A professora iniciou a palestra explicando que ali, ao longo da discussão dela, seriam desfeitos e desconstruídos mitos e pré-conceitos no campo da política pública.

“Por quê?  Vou usar aqui um temo que muitas vezes se usa no ambiente religioso. Nós estamos cheios de falsos profetas, de pessoas que prometem efeitos rápidos e muito milagrosos, onde, muitas vezes , muitos desses discursos estão na verdade, reproduzindo outras violência. Mas são discursos muito poderosos pois dialogam com nossos medos, com as nossas inseguranças e a dinâmica da violência, que é algo que nos impõem um fragilidade muito grande,  principalmente pelo risco de perder a vida, de perder um bem que foi conquistado com muito esforço,  que nos tira familiares e amigos, e nos deixa com o sentimento de querer fazer justiça. E fazer justiça é diferente de justiçamento”, declarou a docente.

Em seguida, a doutora citou os dados publicados em outubro de 2017 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao qual ela é membro. Segundo a estatística, no Brasil, em 2016:

- 7 pessoas foram assassinadas por hora;

- 61.283 pessoas tiveram morte violentas - Um aumento de 4% em relação ao ano de 2015;

- As vítimas: 99,3% são homens e 76,2% são negros e 81,8% têm entre 12 e 29 anos;

- 4.606 casos de homicídio de mulheres e feminicídios - apenas 621 casos foram classificados como feminicídio;

- 2.666 pessoas morrem em decorrência de latrocínio (roubo seguido de morte) - aumento de 50% entre 2010 e 2016;

- 1.066.674 casos de veículos furtados;

- 49.497 ocorrências de estupros - crescimento de 3,5%;

- 71.796 notificações de pessoas desaparecidas;

- 24.628 adolescentes cumpriram medidas socioeducativas em 2014 - Destes, 44,4% por roubo e 24,2% por tráfico de entorpecentes. Menos de 10% são encarcerados por terem cometido homicídio;

- 112.708 armas apreendidas - Redução de 12,6%;

- 453 policiais civis e militares foram vítimas de homicídio - Aumento de 23,1% em relação a 2015 - Destes, 23,7% têm entre 40 a 49 anos;

- 4.222 pessoas morreram em decorrência de intervenções de polícias civis e militares - Aumento de 25,8% em relação a 2015;

- Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas são os três estados mais violentos.

- Goiás, Pará e Amapá são onde há mais casos de latrocínio (roubo seguido de morte);

- As ocorrências polícias ocorrem em 38% a noite; 23,4% a tarde, 23,2% pela madrugada,
- A violência está concentrada em cidades com mais de 100 mil habitantes

 

 

 

 

 

 

 

Para a professora, os números mostram que o nosso país está perdendo a população economicamente ativa para violência.

“Não estamos comprometendo só a nossa sociedade e a nossa forma de viver com a violência, mas estamos comprometendo um projeto de país”, ressaltou.

A doutora mostra que o país está investindo cada vez mais em segurança pública. Em 2015 foram gastos mais de R$ 184 bilhões, já em 2016, foram gastos mais de R$ 319 bilhões. Apesar de aumentar o valor dos investimentos na segurança pública, Marcelle destaca que está tendo uma redução com gastos no âmbito da prevenção e um aumento com o encarceramento.

“A nossa população prisional só cresce, chegando a dobrar nos últimos anos. Hoje, já temos a maior comunidade prisional do mundo. No entanto, sempre escutamos discursos fáceis, do tipo: ‘Nós não temos punição’. ‘É porque as pessoas não são punidas’. Eu digo que as pessoas são punidas. O problema está em quem é punido.

Está no jornal. Está na mídia! Quem é punido? Quem carrega 500 quilos de cocaína no helicóptero ou 8 gramas de maconha no bolso?. O problema não está na impunidade. A gente pune. Pune muito. Mas pune quem?”, indagou a docente.

A doutora ainda citou o caso do HSBC para provar a afirmação dela. ”O HSBC, foi punido e multado há dois anos em uma investigação no FBI porque foi mapeado em uma lavagem de dinheiro de drogas. O dinheiro das drogas não circula na mão de pequenos traficantes. O dinheiro da droga está dentro do mercado financeiro internacional. É o mercado financeiro que está sendo punido? Vocês já viram alguma operação entrando em um banco e batendo o pé na porta? Não, né?”, disse a professora, completando em seguida, “Quando se estabelece uma política pública, estamos estabelecendo para todos. Se for tratar exceção como regra, a gente pune e o risco de cometer uma injustiça é muito pior”, afirmou.

Em seguida, foi a vez do bispo auxiliar de Brasília e Secretário-Geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, palestrar sobre os      Caminhos Apresentados Pela Bíblia Para Superação da Violência no DF, além de apresentar As Propostas do Texto-Base da CF-2018.

O bispo iniciou o discurso falando sobre o amor de Deus e o cuidado Dele com a criação. “O Gêneses começa com o amor e irradia amor. A origem de tudo é a partir do amor de Deus. No início de tudo não tem violência. Deus criou o homem e a mulher a Sua imagem e semelhança. Ele confiou ao ser humano o cuidado e o cultivo da obra criada. Mas aí, sucede a trágica do pecado. O rompimento da relação amorosa do homem com Deus conduz ao esquecimento das origens, e isso é o que gera a violência. O pecado leva o ser humano a atos que desumanizam a si e aos outros. E voltando ao Gênesis, ele narra o crescimento gradual da maldade entre os homens e seus projetos dominadores. A obra criada por Deus quando agredida pelas ações equivocadas do homem, é danificada e arrisca-se a ser mergulhada no caos”, relatou o bispo.

Para o secretário da CNBB, hoje vivemos em uma realidade a ser refletida, discutida e rezada. E que a Campanha da Fraternidade deseja despertar a comunidade, filhos de Deus, para a superação da violência, e para isso precisa refazer relações, deixar-se ser guiado pela ética e a se reconciliar com o outro.

“O esquecimento do mandamento do amor e da ética gestam e despertam violência. Os descaminhos podem ser superados com a volta as origens, com a reconciliação e a misericórdia. A violência é superada pela cordialidade. E a oração e a confiança em Deus são a defesa utilizada pelos não violentos. Os corações precisam ser pacificados, os inimigos não precisam ser eliminados. A superação da violência passa pela conversão da pessoa, pela conversão do coração”, garantiu dom Leonardo.

A Coordenadora da Renovação Carismática em Brasília, Kédina de Fátima Gonçalves, também subiu ao palco do auditório central, quase no fim da manhã, representando as Pastorais, Movimentos e Associações de Leigos e de Vida Consagrada, para tratar sobre Carismas a Serviço da Superação da Violência no DF.

Kédina destacou que a Igreja é formada pela diversidade dos inúmeros dons, carismas e serviços, o que é essencial para que as pessoas aprendam a conviver com a diferença e a respeitar opiniões, o que contribui para a superação da violência.

Em certo momento da palestra, Kédina apresentou a imagem de uma flor, desconhecidas por alguns e conhecida como Flor da Ressurreição, por uns, ou Rosa de Jericó, por outros. Essa flor vive fechada, até que o vento a empurre para terras úmidas, onde ela se abre e florece.

“O cristão tem que ser como a Flor da Ressurreição. Ele tem a responsabilidade de florescer em locais desérticos, quando levado pelo Espírito Santo. E não buscar florescer onde já tem primavera, onde já tem umidade. Isso se chama comodidade”, disse a palestrante.

Para finalizar, Kédina convidou a todos os membros de Pastorais, Comunidades, Movimentos e de Associações a refletirem sobre a seguinte questão: “Como este serviço tem contribuído para superação de violência?”, e mais, ela convidou a todos a tomarem iniciativa para superar, de forma efetiva, a violência em sua paróquia, em sua comunidade, em sua família, em seu trabalho e em todos os locais por onde passa.

Por volta das 12h15, teve encerramento da primeira parte do encontro e os participantes foram direcionados para as áreas montadas para alimentação.

A formação foi retomada na parte da tarde, a partir das 13h30.  Para esta segunda parte do encontro foram realizadas as seguintes palestras:

- O papel das mídias e redes sociais na superação da cultura da violência no DF - com o jornalista do DFTV: Sr. Antônio de Castro

- Atitudes de respeito com o pedestre e com os condutores de Veículos na superação da violência do trânsito no DF - Com o Diretor de Educação de Trânsito do DETRAN - DF: Sr. Álvaro Sebastião Teixeira Ribeiro

- Jovens, desigualdades sociais e a superação da violência no DF - Com a Professora e Dra. Maria Aparecida Penso, professora da Universidade Católica (UCB) e membro do programa de pós-graduação em psicologia

- O compromisso dos fiéis leigos e leigas com a superação da Violência no Ano Nacional do Laicato de 2018 - Com o Dr. Mauro Almeida Noleto, Mestre em Direito e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília 

- Pistas para ações concretas da CF-2018 no âmbito da Ação Pastoral  da Arquidiocese de Brasília - Com o bispo-auxiliar de Brasília: dom Marcony Vinicius Ferreira.

A partir das 17h, ocorreram as conclusões e encaminhamentos finais. E o encerramento foi realizado por volta das 17h30.

Veja as fotos do evento clicando aqui.


 

Materiais para download

Já estão disponíveis os materiais utilizados pelos palestrantes ao longo do Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade 2018, realizado na Universidade Católica de Brasília, no último sábado, 03/02.

Você pode ver, rever e também fazer download de todo o material! Basta acessar o link: http://bit.ly/2nKJNkl

 

 

Leia mais :

Dom Marcony na formação da CF2018: “Não desanimem. Somos regidos pelo Príncipe da Paz!”

- Clique aqui e veja as fotos do Encontro de Formação da Campanha da Fraternidade 2018

- www.forumseguranca.org.br/

- Infográfico de segurança

- Cobertura da Formação da Campanha da Fraternidade 2018:

* Manhã: CF 2018: Fieis se reúnem na UCB para discutirem e buscarem soluções para a superação da violência


* Fotos do Encontro de Formação da CF 2018: http://bit.ly/2saZnek
 
 
 

 

 

 

Informações:
Campanha da Fraternidade 2018:
Telefone: 3213 3341 ou mail: fernanda.pastoral@arquidiocesedebrasilia.org.br

Local da Cerimônia de Lançamento da CF 2018: CNBB 
Telefone: 2103-8303
 

Texto e fotos de Gislene Ribeiro

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