Catedral de Brasília
Notícias

Dom Sergio: "Construir a vida com a fé em Jesus Cristo e a devoção a Nossa Senhora"

14/10/2017 19:09

Depois de um dia repleto de atividades em comemoração aos 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, o cardeal arcebispo de Brasília, dom Sergio da Rocha, presidiu a Missa Solene juntamente com os sacerdotes da Arquidiocese na Esplanada dos Ministérios, às 17h. Segundo a polícia militar do Distrito Federal, 80 mil pessoas estiveram presentes na celebração.

Na homilia, dom Sergio começou falando da alegria em encerrar o Ano Mariano no Brasil neste 12 de outubro, data em que se comemora os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, contando brevemente a história da sua aparição. “Aqueles pescadores não podiam imaginar que um gesto que parecia tão pequeno, de acolher a humilde imagem de Nossa Senhora, pudesse trazer tantas bênçãos de Deus para tanta gente, ao longo desses trezentos anos”, falou.

O arcebispo também recordou os 60 anos da chegada da réplica da imagem à Brasília, entregue nas mãos do então presidente da República, Juscelino Kubitschek, e que hoje se encontra na Catedral Metropolitana. Dom Sergio sublinhou a importância da devoção dos primeiros construtores da capital do país, que alimentou a fé na Senhora Aparecida.

“Esta não pode ser uma simples recordação ou apenas uma celebração festiva. Deve ser ocasião para pensar nas nossas atitudes e sobre o caminho que estamos percorrendo”. Assim, o cardeal exortou os fieis a terem três atitudes a partir do final do Ano Mariano, começando com a veneração piedosa da imagem da Mãe Aparecida, e fez uma analogia com as redes dos pescadores que encontraram a imagem com as redes sociais, que muitas vezes servem para criar discórdias. “Multipliquem coisas boas, compartilhem iniciativas que constroem, que servem para unir. Nossa Senhora certamente quer estar nessas novas redes para unir e abençoar os seus filhos”.

Ainda falou sobre construir a vida com a fé em Jesus Cristo e a devoção a Nossa Senhora; aconselhou os pais, na data em que é comemorado o Dia das Crianças, a ensinarem-nas desde cedo a rezar e seguir a Deus, para que não sofram, posteriormente, com as seduções do mundo. “Cheguem antes das drogas e de outros comportamentos que tanto destroem as nossas famílias, especialmente os nossos adolescentes e jovens”.

Por último, falou da importância do amor ao próximo, principalmente aos que mais sofrem, recordando que os pescadores representam cada um de nós, que tantas vezes sofremos com enfermidades, desemprego, crises e dificuldades. “É a Mãe que vem ao encontro de seus filhos que sofrem para confortar e animar a caminhar sempre, para recordar que Deus jamais os abandona. Foi o que ela fez nas Bodas de Caná, intercedendo junto a Jesus por aquela família que passava por um momento difícil”. Terminou pedindo para Deus abençoar as crianças, de forma especial as doentes, mais pobres, e vítimas da violência.

Após a celebração, houve uma procissão pela Esplanada dos Ministérios com a imagem da padroeira do Brasil onde, com velas acesas, os fieis rezaram pelos doentes, pelos governantes e por todas as famílias.

Confira as fotos da Festa clicando aqui

 

Confira a homilia de Dom Sergio da Rocha na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Estamos encerrando, com toda a Igreja no Brasil, o Ano Mariano, celebrando os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Nós temos muito a agradecer a Deus. Temos muito a louvar a nossa Mãe e Padroeira. O Ano Mariano tem sido um tempo especial de bênçãos de Deus na vida dos devotos de Nossa Senhora, na vida de nossas famílias e comunidades.

Recordemos, mais uma vez, com louvor a Deus, o encontro da imagem de Nossa Senhora, há trezentos anos, nas águas do rio Paraíba do Sul, em outubro de 1717. Eram três humildes pescadores, que lutavam corajosamente em meio as dificuldades para manter dignamente as suas famílias, com o fruto do próprio trabalho. Eram Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves. Eles passavam por um momento de grande dificuldade. Estavam em busca de peixes, mas encontraram uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, imagem de pouco valor material, quebrada em duas partes. Eles cuidaram daquela imagem com grande zelo e piedade. Logo começaram a rezar diante dela, acendendo velas e recorrendo a sua intercessão materna. Reuniam a família para rezar e, aos poucos, foi se formando uma comunidade de devotos de Nossa Senhora da Conceição que passou a ser chamada de Aparecida e o oratório foi crescendo, se tornando uma capela, depois um templo maior até chegar ao belíssimo Santuário Nacional de Aparecida.

Aqueles pescadores não podiam imaginar que um gesto que parecia tão pequeno, de acolher a humilde imagem de Nossa Senhora, pudesse trazer tantas bênçãos de Deus para tanta gente, ao longo desses trezentos anos.

Em 1957, nas origens da nova capital do Brasil, uma réplica fiel da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida chegou a Brasília, pelas mãos do Cardeal Mota, de São Paulo, recebida pelas mãos do presidente da República, Juscelino Kubitschek. Nesta celebração de encerramento do Ano Mariano, nós recordamos aquele acontecimento, manifestando o nosso louvor a Deus pelos sessenta anos da chegada da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em Brasília. No lugar dos pescadores, em Brasília, foram os trabalhadores e suas famílias, os pioneiros, que receberam aquela singela imagem que hoje está em nossa Catedral e, neste momento, entre nós, nesta Esplanada. Eles sabiam que não podiam construir a nova capital sem a fé em Cristo e a proteção de Mãe de Jesus e nossa Mãe, que chamamos carinhosamente Senhora Aparecida. Ela que cuidou da casa de Nazaré, ajudou, e muito, os que construíam a nova casa do povo brasileiro, que era a capital federal, especialmente a nova casa da Mãe Aparecida, que é a nossa Catedral.

Queridos irmãos e irmãs, celebrar os trezentos anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida e os sessenta anos da sua chegada a Brasília não pode ser uma simples recordação ou apenas uma celebração festiva. Deve ser ocasião para pensar nas nossas atitudes e sobre o caminho que estamos percorrendo. Deve ser uma ocasião para aprender com aqueles pescadores do rio Paraíba e com os pioneiros que receberam a imagem de Aparecida em Brasília. Foram pioneiros na construção da cidade. Foram pioneiros na construção da devoção a Nossa Senhora Aparecida entre nós, que tanto tem moldado a nossa cultura. Nós recordamos para celebrar e viver. Dentre os muitos aspectos que poderiam ser tratados, quero ressaltar três atitudes a serem cultivadas:

A primeira é a atitude de veneração piedosa da imagem de Nossa Senhora, que deve ser tratada sempre com muito respeito, como fizeram os três pescadores. Como filhos de Maria, tratamos com carinho a imagem da nossa Mãe, rejeitando qualquer ofensa praticada contra ela. Trata-se da Mãe que Jesus deu ao discípulo amado aos pés da cruz, da Mãe que Jesus nos deu em Aparecida. Esta mesma Mãe, unida ao seu filho Jesus no calvário, nos ensina a perdoar os que nos ofendem, jamais recorrendo a agressividade, a vingança ou a intimidação, especialmente nas redes sociais. As redes dos pescadores possibilitaram unir as duas partes da imagem de Nossa Senhora. Hoje há novas redes, as redes sociais, que tem muitos aspectos positivos, mas também podem dividir e destruir. Por isso, não difundam nas redes sociais ações desrespeitosas e violentas, sejam quais forem. Multipliquem coisas boas, compartilhem iniciativas que constroem, que servem para unir. Nossa Senhora certamente quer estar nessas novas redes para unir e abençoar os seus filhos.

A segunda atitude que aprendemos com os pescadores e os pioneiros é construir a nossa vida, a vida de nossas famílias e a vida de nossa cidade com a fé em Jesus Cristo e a devoção a Nossa Senhora. Nesta construção, vamos ouvir a sua voz repetindo a nós aquilo que ela disse nas bodas de Caná da Galileia: façam o que Jesus disser! Isto é, cumpram a sua palavra e pratiquem o que ela ensinar. Ela sempre nos conduz a Jesus e nos ensina a escutá-lo. É a mãe que conduz a Jesus os seus devotos. Por meio dela, a fé em Cristo tem sido difundida e transmitida de geração em geração ao longo desses trezentos anos. A fé em Cristo fundamenta a nossa esperança, o papa Francisco, em sua bela mensagem para os trezentos anos ressalta a importância de conservar sempre a esperança e deixar-se surpreender por Deus.

Hoje, a palavra de Deus, através do livro do Apocalipse também nos traz uma mensagem de esperança, mostra a razão de ser de nossa esperança, que é a vitória de Cristo sobre o demônio, sobre o pecado e a morte. Vitória da qual Maria participa desde a sua Imaculada Conceição.

Neste dia das crianças, peço encarecidamente aos pais e familiares, ajudem as crianças a conhecer e seguir a Jesus; sejam os primeiros catequistas; ajudem as crianças a rezar e a participar da vida da Igreja. Cheguem antes das drogas e de outros comportamentos que tanto destroem as nossas famílias, especialmente os nossos adolescentes e jovens. Nossa cidade e o nosso país sejam construídos sobre o alicerce da fé em Cristo, com a proteção e o exemplo de Nossa Senhora. A fé cristã é garantia e fundamento para a construção da justiça e da paz. A fé não pode ficar confinada ao interior dos templos ou apenas no coração. Deve inspirar, orientar a vida política, econômica e social, ajudando-nos a superar as injustiças sociais, a violência e a corrupção.

Por fim, a terceira atitude a ser cultivada, inspirando-nos de modo especial no testemunho de nossa Mãe e padroeira é o amor ao próximo, especialmente aos que mais sofrem.

Os três pescadores representam cada um de nós, cada um dos irmãos, que passam por provações, que sofrem com tantos problemas que se abatem sobre as nossas famílias e o nosso povo, neste tempo difícil de crise no país: as enfermidades, o desemprego, a pobreza, a violência e as drogas, dentre tantos outros. Um encontro da imagem de Nossa Senhora nas águas do rio ou a chegada da imagem de Aparecida, no início de Brasília, foi sinal da presença amorosa de Deus junto de quem passa por grandes desafios e tribulações. É a Mãe que vem ao encontro de seus filhos que sofrem para confortar e animar a caminhar sempre, para recordar que Deus jamais os abandona. Ao mesmo tempo, ela vem a nos ensinar a amar os seus filhos mais sofredores, sendo solidários na dor. Foi o que ela fez nas Bodas de Caná, intercedendo junto a Jesus por aquela família que passava por um momento difícil. Foi o que Maria fez vindo ao encontro dos três pescadores. Foi o que ocorreu nos primórdios de Brasília, quando ela veio ao encontro de seus filhos que tinha a árdua tarefa de construir a cidade. Junto com os nossos louvores e súplicas, possamos homenagear Nossa Senhora Aparecida, oferecendo-lhe obras de misericórdia, atos de caridade, para com o próximo.

Por fim, neste dia das crianças, queremos também louvar a Deus que se fez criança e lhe pedir para abençoar nossas crianças, especialmente as enfermas, mais pobres, aquelas que são vítimas da violência. De modo especial, rezamos unidos às famílias das crianças que foram vítimas da tragédia ocorrida, há poucos dias, em Janaúba – MG. Maria que cuidou de Jesus menino, nos ajude a cuidar de nossas crianças com amor. Que Jesus abençoe todos, pela intercessão de nossa querida Mãe e Senhora Aparecida!”

 

Por Victoria Arruda

Fotos: Núcleo de Fotografia da Arquidiocese de Brasília

 

Imprimir Subir Voltar

 Fale Conosco Contatos Webmail Twitter GooglePlus Facebook Flickr Youtube
© Copyright 2013 - Todos os direitos reservados. Voltar a Home