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“Missão não é propriedade particular, mas tarefa eclesial”, afirma presidente da CNBB

11/09/2017 14:48

O arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Sergio da Rocha, disse, neste sábado, 9, em Recife (PE), que uma das implicações da sinodalidade incentivada pelo papa Francisco é a dimensão comunitária da missão. “Sinodalidade é caminhar juntos, compartilhar alegrias e dores. A missão não é propriedade particular, não é restrita a alguém ou a um grupo, mas é tarefa eclesial”, afirmou.

O cardeal participou do 4º Congresso Missionário Nacional (4º CMN), que começou na quinta-feira, 7, na capital pernambucana. Na manhã de sábado, ele falou aos congressistas sobre sinodalidade, um dos eixos temáticos do Congresso, juntamente com a comunhão, tema desenvolvido pela teóloga Lúcia Pedrosa Pádua, da PUC-Rio, que compôs a mesa com dom Sergio.

O presidente da CNBB mostrou a diferença entre sinodalidade e colegialidade. “Ordinariamente, colegialidade se refere ao ministério episcopal e é exercida em comunhão com o papa. A sinodalidade vai além da colegialidade episcopal e não se reduz ao que os bispos vivem em relação ao papa”, explicou.

Segundo dom Sergio, sinodalidade não é uma questão técnica, mas de natureza da Igreja. “Sinodalidade significa participação e comunhão em vista da missão. Não pode ser Igreja se não for assim. O horizonte da sinodalidade é eclesiológico e não funcional”, esclareceu.

De acordo com o cardeal, a sinodalidade bebe na eclesiologia do Concílio Vaticano II e o sínodo dos bispos é instrumento de uma Igreja sinodal. “Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta. Trata-se de uma escuta recíproca onde cada um tem a aprender com o outro. Uma Igreja em que cada um está à escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo, que age na totalidade dos fiéis”, disse.

O cardeal apontou três implicações que nascem da sinodalidade. O primeiro é o desafio de caminhar juntos e evitar a centralização, de modo a revalorizar os diversos espaços da comunhão e da sinodalidade no âmbito da Igreja. “Uma Igreja sinodal valoriza todos os espaços, a centralização atrapalha. Nenhum grupo deve ter monopólio [da missão], porque todo monopólio leva à exclusão do outro”, acentuou. Segundo dom Sergio, sínodos, conselhos de pastoral e administrativo, assembleias são espaço de sinodalidade, contudo, não a esgotam.

Para dom Sergio, a sinodalidade desafia também a “ultrapassar da Igreja local o que podemos fazer”. “A sinodalidade anda junto com a universalidade que caracteriza a missão. Precisamos ir além da paróquia, da diocese, do país. É preciso alargar o horizonte da missão”, observou.

O presidente da CNBB mostrou que, da sinodalidade, brota ainda a necessidade de melhorar a prática da unidade na diversidade dentro da Igreja. “Há aspectos a melhorar ou a repensar como a unidade na diversidade e, no caso da missão, a pluralidade das culturas. Repensar também a autoridade, compreendida como ministério e serviço”, sublinhou dom Sérgio.

O Congresso Missionário, acolhido pela arquidiocese de Olinda e Recife, terminou neste domingo, 10. Dos 700 participantes, 200 foram escolhidos pelos Regionais da CNBB para participar do 5º Congresso Missionário Americano (CAM), em julho do próximo ano, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

 

Assessoria de Comunicação do 4º CMN 

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