Catedral de Brasília
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Artigo: Isto é Ressurreição!

18/04/2017 13:48

 

Há bem pouco tempo, todos nós estávamos no Gólgota e mesmo que distante da Cruz do Senhor, ainda assustados, nós pensávamos: Como são poderosas as forças contrárias ao Reino de Deus! Estávamos perdidos e desorientados; sem vislumbrar uma única possibilidade de futuro, mas buscando um consolo que nos ajudasse a superar os nossos medos e a nossa falta de esperança, nós começamos a caminhar sem rumo e sem proferir uma simples palavra. Nessas andanças, mesmo que cabisbaixos, nos deparamos com Maria Madalena e as santas mulheres que nos convidaram a ir ao Sepulcro, onde havia sido sepultado o Corpo de nosso Redentor. Ainda que desmotivados, nós resolvemos acompanhá-las, e enorme foi a nossa surpresa quando, em meio à noite, o dia do Senhor amanheceu diante de nossos olhos e nos fez perceber que a obra salvadora de Deus tinha se realizado por meio do Sacrifício reparador de Jesus Cristo, para que todos creiam n’Ele. Naquele momento, nós sentimos em nosso íntimo a plena certeza de que, a partir daquele Domingo, uma nova luz de esperança brilhou para a humanidade.

Ainda que estivéssemos com os nossos olhos ofuscados pelo intenso brilho daquela luz, nós percebemos que dois Anjos haviam rolado a pedra que fechava o túmulo para longe de sua entrada. Repentinamente, sentimos que estávamos sendo conduzidos a percorrer um caminho de transformação pessoal que nos conduziu da morte até a ressurreição, das trevas para a luz e do medo para a esperança. Como alguns de nós estavam hesitando diante daquilo que estava bem nítido, diante de nossos olhos, os Anjos nos interrogaram: “Por que procurais entre os mortos Aquele que está vivo?” (Lc 24,5). Com entusiasmo, nós finalmente percebemos que o sepulcro não pôde conter o Senhor da vida. Sim, Ele ressuscitou como havia anunciado aos Seus Apóstolos e aos Seus discípulos. Ele venceu a morte, ressuscitando gloriosamente! Ele não está preso ao passado, pois Ele é uma Pessoa do presente, do hoje e do agora!  Ele é o Onipresente! Há pouco, Ele era o Crucificado; neste instante, Ele é o Ressuscitado. Como testemunhas credíveis da Ressurreição, nós começamos a professar que “o Senhor ressuscitado já não morre mais. Ele vive na Igreja e a guia firmemente ao cumprimento do seu eterno desígnio de salvação”. (Mensagem de Páscoa do Papa Bento XVI, em 08 de abril de 2007).

Por alguns momentos, ficamos sem reação; estávamos parados, calados, surpresos, estupefatos e muito felizes. Com júbilo, nós ouvimos a orientação dos Anjos que nos disseram: “Ide já contar aos discípulos que Ele ressuscitou dos mortos”. (Mt 28, 7). Sem perder tempo, nós e tantos outros discípulos corremos, anunciando Sua presença em nosso meio. À medida que anunciávamos o Seu triunfo sobre a morte, uma paz nos invadia por inteiro e essa mesma paz que somente Ele é capaz de nos dar permanece continuamente conosco. Esta feliz notícia começou a ser proclamada naquele Domingo e há mais de vinte séculos é bradada, ininterruptamente, aquecendo os corações de todos os povos. Todas as gerações cristãs que nos precederam anunciaram essa feliz notícia, essa Boa Nova, com empenho, coragem e fortaleza.  Por desígnio do Ressuscitado, nestes nossos dias, nós somos os arautos que devem brandir os sinais de Sua ressurreição, anunciando: Irmãos, se vocês tiverem fé e alimentarem a esperança, vocês irão vê-Lo. Se vocês O procurarem com um coração puro, contrito e humilde, vocês hão de encontrá-Lo nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação. Se vocês servirem com generosidade ao próximo sem esperar nenhuma recompensa, vocês estarão junto a Ele. Se vocês lutarem com afinco contra a morte, o pecado, a soberba e o desamor, vocês estarão unidos a Ele, proclamando que, onde há amor, santidade, mansidão, pureza de coração e desapego, ali se fazem presentes os fecundos sinais da Sua Ressurreição e assim é porque “se alguém está em Cristo é uma nova criatura”. (2 Cor 5,17).

Naquele primeiro Domingo da Páscoa, percorrendo o caminho da transformação pessoal, tal qual Cléofas e o seu companheiro, nós caminhamos com Ele, rumo a Emaús. Junto a Pedro, a Tiago, a João e aos demais Apóstolos, nós participamos da pesca milagrosa e, de mãos dadas com Tomé, nós tocamos em Suas chagas e O ouvimos sussurrar, docemente, nos nossos ouvidos: “Eu sou a Páscoa da salvação, Eu sou o Cordeiro imolado por vós, Eu sou vosso resgate, Eu sou vossa vida, Eu sou vossa ressurreição, Eu sou vossa luz, Eu sou vossa salvação, Eu sou vosso Rei. Eu os mostrarei o Pai”. (Mélitão de Sardes, “Sobre a Páscoa, 102-103”).  No primeiro dia da Nova Páscoa, nós fomos tocados pelo Senhor da vida e, desde então, nunca mais paramos de dizer: Senhor, eu sou Vosso discípulo, eu abracei a Vossa Boa Nova, os Vossos Mandamentos e Vossas Bem-Aventuranças. Permanecei conosco, Senhor, para que possamos continuar proclamando o Vosso Santo Nome aos nossos contemporâneos. Permanecei conosco, para que possamos cumprir com fidelidade a grata missão de anunciar a todos: “Eu vi o Senhor!” (1 Cor 9,1).

 

Por Aloísio Parreiras
Escritor e membro do Movimento de Emaús

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